A cesta básica em Florianópolis atingiu o valor de R$ 918,42 em junho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do DIEESE, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse dado coloca a capital catarinense como a 4ª cidade com a cesta básica mais cara do país, atrás apenas de São Paulo (R$ 965,47), Cuiabá (R$ 937,93) e Rio de Janeiro (R$ 920,94).
Esse número revela muito mais do que um dado conômico, ele conta a história de famílias que não conseguem colocar comida na mesa em uma cidade conhecida pelo alto padrão de vida.
Por que a cesta básica em Florianópolis pesa tanto?
A explicação pasa uma cesta básica tão cara vai muito além de fatores como o clima e safras. Regiões metropolitanas com mercado imobiliário aquecido e serviços mais caros elevam a margem de operação dos supermercados, desde o aluguel das lojas até os salários dos funcionários.
A especulação imobiliária em Florianópolis, impulsionada pelo turismo e pela expansão imobiliária vertical, pressiona custos que se refletem diretamente no preço dos alimentos.
Além disso, a cidade convive com a ausência de políticas públicas estruturais que garantam segurança alimentar de forma contínua e suficiente para a população que mais precisa. O salário mínimo atual, de R$ 1.621, sequer cobre o custo da cesta básica — o DIEESE estima que o valor mínimo necessário seria de R$ 8.110,92.
Quando a política pública não chega, quem preenche o vazio?
Se o custo de vida sobe e a cesta básica pesa, a resposta óbvia seria: política pública de segurança alimentar. Mas quando o Estado se retrai, o vazio não fica vazio, ele é preenchido por ONGs, coletivos e iniciativas comunitárias que assumem uma responsabilidade que não deveria ser delas sozinhas.
O problema é que nenhuma organização tem estrutura para substituir o poder público em escala. Cobrar dos governantes e escolher bem quem ocupa cargos decisivos não é posicionamento político, é uma urgência prática. E um dos exemplos mais claros desse vazio está num equipamento que já existiu, foi perdido, e cuja ausência ainda dói: o Restaurante Popular.
A falta que faz um Restaurante Popular

Florianópolis contou com um Restaurante Popular, inaugurado em julho de 2022 com capacidade para até 2.000 refeições por dia. Em fevereiro de 2025, após apenas dois anos de funcionamento, o espaço fechou as portas.
A prefeitura prometeu reabrir em 90 dias, mas apenas para famílias cadastradas, trabalhadores e estudantes — pessoas em situação de rua foram excluídas e realocadas para a Passarela da Cidadania.
A Defensoria Pública de SC ajuizou Ação Civil Pública e classificou o fechamento como retrocesso social. E o Consea alertou que o espaço era o único lugar onde muitas pessoas tinham acesso a uma refeição nutritiva, com verduras, carnes e saladas.
Passados mais de um ano, a pergunta segue: quantas pessoas seguem sem comer dignamente numa cidade onde a cesta básica custa quase R$ 920?
A segurança alimentar não é favor, é direito constitucional!
O que o Além dos Olhos faz e como você pode ajudar
Enquanto políticas públicas não chegam na escala necessária, o Além dos Olhos age todos os dias, junto a outras organizações e grupos, por mais segurança alimentar na Grande Florianópolis:
- Entregamos cerca de 250 marmitas entregues toda semana para pessoas em situação de rua e famílias em vulnerabilidade social no Centro de Florianópolis
- Recebemos alimentos da CONAB através da Cooperativa Agrícola Ecoserra, distribuídos entre famílias cadastradas e acolhidas pelo projeto
- Distribuiímos parte dos alimentos recebidos entre creches de comunidades e projetos parceiros
- Montamos cerca de 50 kits de alimentos com itens essenciais para famílias acolhidas cadastradas pelo Além dos Olhos
Como você pode ajudar:
🤝 Seja voluntário(a) — seu tempo vale mais do que você imagina 💰 Faça uma doação via PIX: 37591117000105
🛒 Doe alimentos: frango, carne moída, calabresa, arroz, feijão, batata, cenoura, chuchu, cebola, tomate, óleo, sal e coloral
🔗 Outras formas de ajudar em projetoalemdosolhos.com.br/como-ajudar
Procurando semelhanças e não diferenças, construímos juntos um caminho onde ninguém fique sem comer. 💙
