Em fevereiro de 2026, voluntários do Além dos Olhos receberam mais uma prova do quanto a atuação comunitária, especialmente de projetos sociais como o nosso, pode mudar completamente o rumo da vida de alguém.
A história do seu Antônio é um desses encontros que nos lembram diariamente do porquê fazemos o que fazemos e da importância de “procurar semelhanças e não diferenças”.
Não existe um único caminho que leva alguém à situação de rua. Histórias como a dele nos lembram que qualquer pessoa pode enfrentar uma fase dura, e que acolhimento e oportunidade fazem toda a diferença antes que a vulnerabilidade se transforme em abandono.
Um pedido simples e uma urgência real
Durante nossas ações de segunda-feira, nossos voluntários foram procurados pelo seu Antônio, trabalhador de Maringá/PR que estava em Florianópolis havia mais de um mês. Ele tinha vindo à cidade a trabalho, mas enfrentava problemas com a empresa contratante, incluindo dificuldades no recebimento do salário. Dormia em um alojamento da própria empresa. Alojamento esse que ele precisaria deixar naquele mesmo dia.
Sem ter para onde ir e sem recursos para voltar para casa, Antônio buscou o Centro POP de Florianópolis em busca de uma passagem de retorno para Maringá. Porém, ao chegar lá, ouviu que o recurso para passagens do mês de fevereiro havia se esgotado e que somente em março ele poderia tentar novamente.
O Projeto ALém dos Olhos entrou em contato com a coordenação do Centro POP e confirmou a informação. Diante do risco real de Antônio cair em situação de rua, conversamos com a tia Sônia e tomamos uma decisão: a sociedade civil faria aquilo que o Estado deveria garantir, mas não garantiu.
Compramos a passagem no mesmo dia, e no primeiro horário da manhã do dia seguinte, Antônio embarcou rumo ao Paraná. De volta para sua família. De volta para sua rede de apoio.
E vale reforçar: ele retornou por vontade própria, como nos disse, para “cuidar da família, se fortalecer e tentar uma nova vez aqui em Floripa, mas da próxima vez mais estruturado.”
O depoimento que recebemos pelo WhatsApp
Assim que embarcou no ônibus para Maringá, Antônio enviou uma mensagem que guardamos com muito carinho:

É impossível ler sem sentir a força, a gratidão e, ao mesmo tempo, a denúncia evidente de um sistema que falha, mas que encontra resistência na solidariedade.
11 de março: um novo capítulo para o Antônio
Algumas semanas depois, recebemos uma nova mensagem do Seu Antônio, dessa vez acompanhada de uma foto e de uma notícia maravilhosa.
Antônio havia retomado sua vida profissional, agora registrado na área de segurança:

Ele fez questão que sua história fosse dividida. Como prova de que quando alguém estende a mão, uma vida inteira pode se reorganizar.



Permanecemos onde o sistema falha
É por histórias como a do Antônio que seguimos firmes na missão: atuar com dignidade, humanidade e responsabilidade social. Sempre “procurando semelhanças, não diferenças”.
Sempre reconhecendo que a solidariedade organizada é capaz de evitar que pessoas caiam na extrema vulnerabilidade.
Uma pena que o Estado ainda falhe com tanta gente que precisa de ajuda, mas temos a sorte de contar com voluntários maravilhosos que estão sempre dispostos a estender a mão.
Agradecemos imensamente a confiança do Antônio e desejamos a ele muito sucesso nessa nova fase.
Se quiser fortalecer histórias como essa, você pode contribuir com o projeto:
PIX para doações: 37591117000105
E para apoiar ainda mais nossa atuação, visite nosso bazar solidário:
📍 R. Fagundes Varela, 323 – Areias, São José
🕒 Segunda a sexta, das 14h às 18h e nos dois primeiros sábados do mês, das 9h às 12h
